
Há alguns milhões de anos, quando ainda não havia supermercados nem sapatos, nossos antepassados tinham que correr a pé, descalços, atrás dos bifes para o almoço. Nessas saídas eles não tinham certeza se iriam caçar ou ser caçados.
Mais recentemente, alguns séculos atrás, os assim chamados selvagens (porque viviam na selva) já tinham criado umas proteções para os pés, confeccionadas com o couro dos animais que conseguiam capturar nas caçadas. E nessa época eles já não tinham que se esgotar correndo atrás da caça pois já conseguiam capturar e montar cavalos que domesticavam.
Assim, de tempos em tempos, a humanidade vai aprimorando seus modos de viver. E assim, junto a tantas outras coisas importantes na vida, os seres humanos foram aprimorando os modelos dos calçados, sociais e desportivos.
Durante décadas, as empresas de tênis de corrida desenvolveram e venderam calçados com as melhores e mais recentes tecnologias. Os modelos de calçados, ao longo dos anos, se concentraram em amortecimento, estabilidade, controle de movimento e outras funções que a maioria dos corredores considerava desejáveis, ou combinações dessas qualidades.
Porém, nos últimos anos, uma nova filosofia de tênis de corrida vem, pouco a pouco, se consolidando: a filosofia de que menos é mais, conhecida como filosofia de corrida minimalista.
Em suma, aqueles que seguem a linha de pensamento minimalista da corrida dizem que os humanos caminharam e correram milhares de anos com calçados básicos ou sem calçado algum. Assim pensando eles defendem que, se os humanos caminham e correm há tanto tempo sem usar tênis de corrida, é bem possível que nossos pés, pernas, joelhos, quadris e praticamente todas as outras partes do corpo relacionadas ao movimento de avanço, já foram projetados ou evoluíram para funcionar de forma otimizada, sem calçados.
A ideia é que, ao calçar tênis de corrida para nos proteger estamos, na verdade, nos prejudicando de duas maneiras diferentes:
Ao colocar muito amortecimento no calcanhar e deixá-lo mais alto do que a parte frontal do pé, (drop) os tênis nos obrigam a tocar o chão à nossa frente com o calcanhar, e o pé pousando bem à frente do centro de gravidade do corpo.

Estudos recentes mostraram que pisar com o calcanhar exerce uma pressão perigosa sobre as articulações, mesmo que os impactos sejam amortecidos com a tecnologia embarcada nos modernos tênis de corrida.
Corredores que adotam uma abordagem mais minimalista em suas corridas têm de reformular os treinos com um ritmo diferente, correndo 10% do trajeto habitual com tênis minimalistas (“descalço”) e 90% com os tênis convencionais. Depois, você pode aumentar o ritmo de corrida em cerca de 10% semanalmente, e aos poucos, vão aumentando os espaços percorridos com os tênis minimalistas até que consigam utilizá-los durante todo o tempo.
Quando as pessoas “correm descalças”, elas naturalmente realizam uma passada que as faz tocar o chão primeiro com a parte anterior ou média do pé e depois fazer com que seus pés pousem os calcanhares quase diretamente abaixo do centro de gravidade do corpo.
É claro que isso exigirá um período de adaptação, à medida que o corpo e a postura do corredor se adaptam à nova técnica. Além disso, usar o bom senso e ouvir o próprio corpo é essencial. Se você gosta de correr em trilhas ou estradas de cascalho, é melhor correr com calçados minimalistas, em vez de descalço.
Uma afirmação relacionada à filosofia minimalista da corrida é que os tênis de corrida convencionais, com tanto material de amortecimento entre o pé e o solo, tornam difícil sentir o feedback do próprio corpo sobre se a forma de correr está eficiente e suave. Além disso, acredita-se que os tênis de corrida tradicionais, com muitos recursos diferentes de controle de movimento, impedem que o corpo corra da maneira que naturalmente deseja.
A filosofia minimalista da corrida não estabelece que o melhor ou mais seguro modo de correr é simplesmente encontrar o par de tênis de corrida mais simples, leve e fino (ou simplesmente andar descalço) e começar a correr 19 quilômetros por dia, apenas porque é natural. Afinal, passamos praticamente toda a nossa vida adulta com sapatos grossos e pouco flexíveis, então será necessário um bom período de adaptação. Mas, com o tempo, podem colher os benefícios.
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