Sintomas e tratamento da dor no pé, pelo neuroma de Morton

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Existem muitas causas para dor no pé, mas se você estiver sentindo uma dor aguda e penetrante que melhora quando você para de andar e massageia o pé, você pode ter o que é conhecido como neuroma de Morton. Trata-se da forma mais comum de dor no metatarso e é um distúrbio benigno e tratável(1).

Um neuroma é um aumento ou espessamento de um nervo, em nosso caso na área entre os dedos do pé. Thomas George Morton, USA, divulgou esse neuroma no espaço entre a terceira e a quarta cabeças metatársicas em 1876.

Localização comum do Neuroma
Imagem na Ressonância Magnética
Diagnóstico
  1. Exame Físico – Diferencia dor local pelo neuroma de dor referida, que pode ser por sensibilização espinhal ou pela presença de pontos gatilho miofasciais.
  2. Ultrassonografia – Mostra a área do neuroma e eventual inflamação local
  3. Ressonância Nuclear Magnética – Diagnóstico diferencial com outros processos expansivos de partes moles ou ósseas
Sintomas

No início do crescimento os sintomas podem ser mais espaçados, mas à medida que ele cresce os sintomas passam a ser muito frequentes: (2)

  • Dor (aguda, penetrante, latejante, lancinante) em pé ou ao caminhar
  • Dormência, Parestesia ou “formigamento”
  • Sensação que o antepé está queimando ou de estar pisando em algo dentro do sapato (como uma meia amassada)

Tirar o sapato e massagear o pé costuma trazer alívio sintomático.

Causas

Não se tem certeza sobre a causa exata da lesão, mas afrouxamento dos ligamentos podem causar compressão e lesão do nervo entre as cabeças dos ossos do metatarso.

Cuidados ao comprar calçados

Atenção: Os sapatos têm de acomodar confortavelmente os pés, desde o momento da compra. Senão eles poderão causar problemas. Não se deve comprar sapatos apertados imaginando que depois eles irão lacear. Evitar comprar calçados sem experimentar, por e-commerce por exemplo.

Antes de comprar sapatos, leve uma fita métrica e peça ao vendedor para medir seus pés na loja. O ideal é medir o Comprimento, a Largura e o Arco Medial. Sempre medir em pé, descalço e olhando para frente. Assim os pés cedem mais ao peso do corpo. O melhor horário para medir os pés é no final do dia quando apresentam algum inchaço. Essa conduta garante medidas corretas do tamanho dos pés, para que os calçados não fiquem apertados.

Os ligamentos, tecido que interliga os ossos, tendem a relaxar e se esticar à medida que envelhecemos. Isso é mais comum nos últimos meses da gravidez ou depois que as mulheres entram na menopausa, por questões hormonais, mas também vale para homens idosos. Os outros tecidos do pé também podem mudar. Isso faz com que os pés mudem de forma, tamanho e inclinações. Estudos mostraram que muita gente usa sapatos de tamanho errado, maior ou menor que o pé, passando a sofrer dores e distúrbios nos pés(1). Os pés podem ficar mais longos ou mais largos devido a lesões, músculos enfraquecidos, ligamentos que deixam os arcos caídos ou condições de saúde que causam mudanças estruturais no pé, como nas artrites.

Uma parte importante do ajuste do sapato é o comprimento do arco, que deve ser medido desde a frente do calcanhar até à base dos dedos, que é onde o dedão do pé se dobra. Essa dobra deve corresponder à flexão do sapato. Antes de comprar, aperte o sapato entre as palmas das mãos, uma por trás e outra na biqueira. O ideal é que ele se dobre na base dos dedos. Outro teste é, calçado com os dois sapatos, elevar-se na ponta dos pés. Se sentir o sapato dobrar antes ou depois da articulação do dedão, esses calçados não estão bem adaptados para os pés.

Ao comprar calçados deve-se usar meias macias e optar por sapatos com biqueira mais larga. Desse modo se dá espaço adequado para os dedos dos pés, o que ajuda a evitar joanetes e bolhas.

Tratamento não invasivo do Neuroma de Morton
  • Escolha do calçado: Use calçados largos e fundos na biqueira para que não pressionem os dedos e os metatarsianos. Evite usar saltos altos porque eles causam maior pressão na planta do antepé.
  • Palmilhas feitas sob medida dotadas de almofadas metatársicas: Elas ajudam a levantar e separar as cabeças metatársicas para tirar a pressão do nervo. Elas devem ser confeccionadas, de preferência depois de uma avaliação pela podobarometria computadorizada, por sensores de pressão inseridos dentro dos calçados, para que sejam estabelecidos todos os pontos de pressão a ser aliviados ao andar.
  • Modificação das atividades: Evite corridas ou caminhadas até a dor passar.
  • Enfaixamento com fita atlética: melhora a postura do arco transversal do antepé, diminuindo a pressão das cabeças metatársicas contra o nervo.
  • AINEs (anti-inflamatórios): Ibuprofeno, Cetoprofeno, Celecoxibe, etc.
  • Fisioterapia: com estimulação eletro-analgésica, massagens, frio e calor, além de exercícios específicos para correção de desvios articulares.
Abordagens invasivas
  • Injeção de corticosteróides, toxina botulínica ou de álcool para aliviar inflamação ou relaxar os músculos intrínsecos do pé.
  • Cirurgia: Em geral o tratamento conservador é suficiente para o paciente retornar à normalidade. Se não, a cirurgia tem sucesso em 80-85% dos casos, em média(4).
Prevenção
  • Evite usar sapatos com biqueira estreita e de bico fino;
  • Evite usar sapatos de saltos com mais de 3 ou 4 cm de altura;
  • Usar palmilhas personalizadas.
Fontes Bibliográficas
  1. Usama Munir; Dawood Tafti; Samer Morgan. Neuroma de Morton, Stat Pearls Internet.
  2. Dando C, Cherry L, Jones L, Bowen CThe clinical diagnosis of symptomatic forefoot neuroma in the general population: a Delphi consensus study. J Foot Ankle Res.2017; 10:59.
  3. Mahadevan D, Venkatesan M, Bhatt R, Bhatia M.  Diagnostic Accuracy of Clinical Tests for Morton’s Neuroma Compared With Ultrasonography. J Foot Ankle Surg. 2015;54(4):549-53.
  4. A, Scammell B, Dhar S. The outcome of Morton’s neurectomy in the treatment of metatarsalgia. Int Orthop .2010;34(4):511-5.


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