Continuação do artigo “Hipermobilidade Articular Generalizada 1”
A hipermobilidade articular generalizada (HAG), é extremamente comum na população humana – porém sua prevalência varia muito, conforme idade, sexo, etnia.
A prevalência mundial estimada por estudos epidemiológicos mostram uma considerável variação, como se vê a seguir:
- Dependendo da metodologia aplicada, entre 2% e 57% da população geral;
- Já em adultos, a maior parte dos estudos encontra prevalência entre 10% e 30%;
- Aproximadamente 10% dos indivíduos hipermóveis apresentam sintomas clínicos relevantes, como dor, instabilidade, fadiga, disautonomia, etc.
Avaliando a distribuição por faixa etária, percebe-se que nas crianças a hipermobilidade é muito mais frequente, sendo de 8% a 39% em escolares, 34% em média, nas metanálises pediátricas, podendo atingir mais de 60% nos pré-escolares. Esses números podem ser explicados pela maior elasticidade do colágeno infantil e pela imaturidade ligamentar.
No referente ao sexo, há sensível diferença entre meninos e meninas, com as meninas apresentando hipermobilidade em aproximadamente 32 a 36% enquanto os meninos respondem por cerca de 18 a 20%. Essa discrepância parece ser atribuída aos estrogênios e às diferenças estruturais do tecido conjuntivo.
Em adolescentes e adultos jovens é que a hipermobilidade é mais percebida, com prevalências entre 15% e 35%, sendo que atletas, bailarinos, ginastas e praticantes de artes marciais apresentam índices ainda maiores.
A hipermobilidade pode ser vantajosa em algumas atividades e modalidades desportivas, como ginástica, nado sincronizado, dança, balé, yoga, artes marciais, mergulho e até em alguns movimentos do tênis e do voleibol.
Em adultos de meia-idade a prevalência tende a cair progressivamente, a partir da terceira década, quando ocorre o aumento das ligações cruzadas do colágeno e a redução da elastina funcional, além da maior rigidez capsulo ligamentar.
Metanálises recentes sugerem: cerca de 1 a10%, dependendo do ponto de corte do escore de Beighton.
A hipermobilidade geralmente diminui com o envelhecimento, apesar de alguns idosos permanecerem hipermóveis, especialmente mulheres, indivíduos com doenças hereditárias do tecido conjuntivo ou pessoas muito flexíveis desde a juventude.

Estudos recentes sugerem que o ponto de corte do escore de Beighton deve ser reduzido nos idosos, porque a mobilidade fisiológica diminui com a idade.
No referente às diferenças étnicas e geográficas, a prevalência tende a ser maior em populações asiáticas, africanas, árabes e sul-americanas, sendo menor nas populações do norte europeu. Sugere-se que essas características possam ser atribuídas a diferenças genéticas do colágeno, composição do tecido conjuntivo, fatores hormonais e até a adaptações culturais e motoras, podendo ser totalmente assintomáticas, vantajosas em algumas atividades e esportes, mas também podem tornar-se fonte importante de morbidade. As consequências musculoesqueléticas mais comuns são a Dor Crônica (lombalgia, cervicalgia, dor patelo-femoral, dor miofascial) as Tendinopatias, a Instabilidade Articular (entorses recurrentes, sub-luxações, luxações e falseios) e a Sobrecarga Biomecânica.
A hipermobilidade ligamentar contribui para alterar alinhamento, propriocepção, controle motor e distribuição de cargas, favorecendo a ocorrência de desvios em valgo dinâmico, pé plano flexível, hipermobilidade patelofemoral, instabilidade do tornozelo e sobrecarga lombo pélvica. As lesões esportivas nos indivíduos hipermóveis podem estar associadas com lesões dos LCA/LCP, entorses de tornozelo, lesões nos meniscos, instabilidade glenoumeral e diferentes tendinopatias, principalmente nos indivíduos com déficit proprioceptivo, fraqueza muscularm ou controle neuromuscular inadequado.
Paradoxalmente, mesmo em indivíduos “flexíveis”, a instabilidade pode agravar microtraumas articulares repetitivos, favorecendo a ocorrência de osteoartrite precoce, degeneração patelofemoral e mesmo desgastes ligamentares.
Mesmo na hipermobilidade generalizada, não relacionada às síndromes hereditárias, podem ocorrer consequências sistêmicas. Esses indivíduos são, em geral, sintomáticos e podem apresentar disautonomia, manifesta por taquicardia postural, fadiga, tonturas e intolerância ortostática. Sintomas gastrointestinais, como refluxo, constipação e síndrome do intestino irritável são distúrbios passíveis de se manifestar associado às características físicas da hipermobilidade articular.
Já, do ponto de vista neuropsíquico, pode haver predisposição à fadiga crônica e à ansiedade.
Concluindo, quando se percebe que uma criança, adolescente, adulto ou mesmo idoso(a) apresenta hipermobilidade pelo escore de Beighton, procure um médico Fisiatra. Ele poderá orientar sobre como proceder em termos de exercícios e de órteses, como calçados e palmilhas, coletes para controle dos desvios da coluna, além de, caso surpreenda alguma alteração neuropsíquica, encaminhar ao especialista mais indicado para, junto com o suporte físico você tenha também o suporte neuropsíquico que lhe permitirá melhor qualidade de vida.
👍Se vocês gostaram até aqui, leiam a continuação na próxima postagem, e vejam como prevenir e/ou controlar os problemas da frouxidão ligamentar generalizada que tanto prejudica as pessoas acima dos 50 anos, principalmente as mulheres.


Deixe um comentário