Anatomia dos tênis de corrida: 6 partes que moldam o conforto e o desempenho

·

·

Adaptado de artigo de Emily Duane

Uma rápida lição sobre anatomia do calçado nos ensina que, embora os tênis de corrida tenham os mesmos elementos, esses elementos são projetados para funcionar de maneiras diferentes.

Tênis. Você calça, amarra os cadarços e sai para correr. É simples assim, né? Bem… em teoria! Uma rápida aula sobre anatomia do tênis nos ensina que, embora os tênis de corrida tenham os mesmos elementos, esses elementos são projetados para funcionar de maneiras diferentes.

Você já saiu para correr e sentiu dores desconfortáveis ​​durante ou depois? Já usou os mesmos tênis para correr na rua, em trilhas ou na academia? Saiba que para conforto e desempenho ideais, o ideal é usar tênis diferentes para cada tipo de corrida, mas isso custa caro!

Anatomia de um tênis de corrida

Um tênis de corrida comum inclui os mesmos componentes básicos, mas dentro desses componentes de design, existem diferenças que fazem com que um tênis se ajuste, transmita uma sensação ou tenha um desempenho específico.

Cabedal

Os “tênis de corrida”, sejam de estrada ou de trilha, geralmente apresentam cabedal de malha projetada ou tricotada (Mesh) para maior respirabilidade. A malha oferece flexibilidade extra para ajuste e conforto. Um tênis de corrida geralmente possui um cabedal de malha projetada ainda mais leve para reduzir o peso total do calçado.

Alguns calçados de estrada e trilha são projetados com cabedal resistente às intempéries, facilitando a manutenção do seu plano de treino em condições de vento, chuva ou lama. Eles incorporam Gore-tex® (procure modelos com “GTX” no nome) ou outros tecidos impermeáveis, além de colagem ou selagem de costuras para evitar a infiltração de água nas junções dos tecidos.

Dica de corredor profissional: É importante observar que, embora esses calçados sejam ótimos para evitar a penetração de umidade, o suor também fica retido no interior do calçado. Isso pode causar sensação de peso e causar pontos quentes ou bolhas. Portanto, usar calçados à prova de chuva geralmente não é recomendado em dias secos.

Palmilha

A palmilha é uma peça leve de espuma (EVA, Poliuretano, etc) que fica na parte interna da sola do tênis para oferecer amortecimento e conforto extra ao pé. As palmilhas são uma parte surpreendentemente importante da anatomia do tênis de corrida. Elas podem ser substituídas por uma opção personalizada, com mais amortecimento, redistribuição das pressões nas plantas dos pés ou oferecendo suporte em pés com desvios em pronação, supinação, plantiflexão. Muitas pessoas optam por novas palmilhas para suporte adicional do arco, tratamento da fascite plantar ou alívio da dor. 

Palmilhas populares incluem modelos simples, sem nenhum elemento de suporte, como as palmilhas planas de gel que dão maior sensação de maciez ao pisar. Enquanto isso, algumas pessoas usam órteses personalizadas criadas por um médico especializado, mediante exame de Podobarometria Computadorizada com sensores de pressão inseridos nos calçados.

Entressola

Localizada entre o cabedal e o solado, a entressola é a parte do calçado que proporciona conforto, absorção de impacto, retorno de energia e diversos níveis de estabilidade e controle de movimento. As entressolas são feitas em geral de algum tipo de microespuma, mas algumas contam com tecnologia de gel ou poliuretano, de densidades variadas.

Corredores com arcos flexíveis tendem a se sentir melhor com calçados rígidos (maior estabilidade), enquanto corredores com arcos rígidos tendem a preferir calçados flexíveis (neutros). Os calçados neutros são bastante simples, com uma variedade de designs e densidades de entressola entre marcas e modelos, para níveis variados de conforto e retorno de energia. Os calçados de estabilidade, por outro lado, apresentam um suporte medial ou espuma de dupla densidade para controlar o movimento durante a pronação e a supinação. As marcas usam diferentes tecnologias para reduzir os desvios excessivos, laterais ou mediais (para fora ou para dentro) seja ao caminhar ou durante a corrida.

Os modernos tênis de corrida geralmente apresentam uma placa ou barras de carbono, ou uma placa de TPU (Poliuretano Termoplástico) que é um material flexível e durável usado em solados de calçados, que oferece grande resistência à abrasão. O TPU melhora a qualidade geral e a vida útil dos calçados. Alguns fabricantes colocam a lâmina de TPU embutida na entressola para impulsionar o corpo para frente e para cima, reduzindo o custo energético da corrida .

Altura do “salto” e queda do calcanhar aos dedos (“DROP”)

Ao analisar as entressolas, você também deve considerar a altura do calcanhar à ponta (drop) e a altura do solado. A altura do solado de um tênis é a diferença de altura do chão até os pés, e a altura do drop refere-se à diferença de altura entre o calcanhar e os dedos. Tênis com maior altura do calcanhar à ponta, onde o calcanhar fica muito mais alto em relação ao chão do que os dedos, podem aliviar a pressão nas panturrilhas e no tendão de Aquiles, ajudando a tratar lesões comuns em corridas, como tendinite do Tendão de Aquiles. Já tênis com menor altura do calcanhar à ponta podem reduzir a tensão nos joelhos e quadris.

Do neutro ao estável, da espuma ao gel, do minimalista ao ultramacio, há um tênis de corrida para cada pé e para cada atividade.

Sola

O solado é a parte do tênis que toca o solo. Ele oferece diferentes níveis de tração dependendo das superfícies em que você corre. Tênis de corrida de rua são projetados para ter melhor desempenho em superfícies pavimentadas, como ruas e calçadas, esteiras e até mesmo em terra batida que não exijam um solado com tração extra. Um tênis de corrida de trilha é ideal para terrenos variados, como terra, cascalho, lama, pedras e outras superfícies irregulares, onde o solado adere bem para ajudar a evitar escorregões e quedas. Esses tipos de calçados são fáceis de identificar devido aos sulcos mais profundos e grossos e à maior quantidade de borracha cobrindo a sola do tênis.

Lingueta

Qualquer tênis com cadarço terá uma lingueta. Parece uma parte pouco importante da anatomia de um tênis de corrida mas a lingueta, na verdade, tem uma função muito importante. Ela evita que os cadarços esfreguem ou adicionem pressão na parte superior do pé. Os tênis de corrida de trilha geralmente apresentam uma lingueta reforçada, conectada nas laterais. Esse recurso de design evita que detritos entrem no tênis, mas comprimem atletas com “pé alto”.

Cadarço

Você pode pensar que cadarços são todos iguais, mas – surpresa! – não são.

Cadarços planos são os mais comuns. Cadarços redondos tendem a ser um pouco mais resistentes e duram mais. Há também tênis com o Sistema BOA Fit para um ajuste preciso que pode ser facilmente corrigido durante a corrida. Alguns tênis vêm até com cordão elástico para cadarços, reduzindo a pressão que os cadarços tradicionais exercem sobre o dorso do pé.

Dica profissional: Existem inúmeras maneiras de amarrar seus tênis para garantir o conforto. 



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Uma resposta para “Anatomia dos tênis de corrida: 6 partes que moldam o conforto e o desempenho”
  1. Avatar de Fernando Cesar Freitas de Matos
    Fernando Cesar Freitas de Matos

    Excelente conteúdo Dr. Donaldo!