Tendinite de Aquiles

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“A dor no tendão de Aquiles deve ser cuidada o mais cedo possível”

Se não for tratado, o tendão de Aquiles pode ficar mais grosso e calcificado (uma condição chamada tendinose de Aquiles) e ser muito difícil de tratar.

A seta mostra, na RNM, um TA calcificado, com a degeneração conhecida pelo nome de Tendinose.

O mais forte e em geral o mais longo tendão muscular do corpo humano é o Tendão Calcâneo ou mais popularmente Tendão de Aquiles (TA). Tendões são estruturas inextensíveis, que unem os músculos aos ossos.

O TA consiste numa estrutura tendínea formada pela união dos tendões de quatro dos músculos que formam a panturrilha. São eles os gastrocnêmios Medial e Lateral, o Sóleo, localizado distalmente aos Gastrocnêmios e o Plantar Delgado. O ventre (carne) do músculo Plantar Delgado é muito curto, nascendo acima do côndilo Lateral do Fêmur, e descendo por trás dos Gastrocnêmios e do Sóleo. O Plantar Delgado tem um tendão longo e fino, que vai desde atrás do joelho até se juntar distalmente ao TA, ou se inserir isoladamente atrás do Calcâneo. O Plantar Delgado está ausente entre 7-20% das pessoas, variável com a etnia de origem.

Síndrome da Pedrada ou Tennis Leg

Tal como a cabeça medial do músculo Gastrocnêmio, o Tendão do Plantar Delgado pode romper. Nesses casos, causando a denominada “Tennis Leg” ou “Síndrome da Pedrada” porque sua ruptura causa a impressão ao atleta de ter recebido uma pedrada ou um pontapé no cavo poplíteo ou no 1/3 proximal da panturrilha. Isso ocorre durante um esforço para saltar alto, verticalmente (Voleibol), uma arrancada explosiva (Tenis, Futsal ou Futebol de Campo, Partida de Corridas de Velocidade), mudança brusca de direção (Tenis, Basquetebol, Futebol Americano) ou movimentos com aceleração e/ou desaceleração bruscas (Tenis, Futsal).

O que é o tendão de Aquiles?

Tendão de Aquiles normal:

Tendão escuro e em formato de crescente

(Setas vermelhas)

O tendão se fixa no osso do calcanhar (calcâneo) e faz com que o pé se afaste (flexão plantar) quando os músculos da panturrilha se contraem. O tendão é necessário para caminhar, correr e pular normalmente. Lesões atléticas e traumáticas no tendão de Aquiles são comuns e podem ser incapacitantes.

O que é tendinite de Aquiles e tendinopatia?

A tendinite de Aquiles é uma inflamação do tendão de Aquiles. A inflamação pode estar localizada na extremidade do tendão mais próxima do calcanhar ou pode se espalhar para cima, afetando até mesmo os músculos da panturrilha em alguns casos. Em geral ocorre inchaço e a dor é sentida ao se contrair os músculos da panturrilha. Em casos graves, a dor pode ser sentida mesmo em repouso.

Geralmente, a tendinopatia de Aquiles começa como uma dor moderada logo acima do calcanhar, no momento de iniciar a Fase de Balanço da marcha ou ao tentar elevar-se nas pontas dos pés (plantiflexão do tornozelo). Se a atividade não for interrompida, a inflamação piora rapidamente até um ponto em que qualquer atividade, que exija um impulso em plantiflexão se torne bastante dolorosa e quase impossível. Se não for tratada, a tendinite pode evoluir para uma de duas condições mais graves – Tendinose de Aquiles e Tendinopatia de Inserção de Aquiles.

Como ocorre a lesão?

A maioria das lesões no tendão de Aquiles é causada por uso excessivo. Outros fatores que levam à tendinite de Aquiles são escolha inadequada do tênis, alongamento inadequado antes de praticar atletismo, tendão de Aquiles curto, trauma direto (lesão) no tendão, sobrecarga de treinamento e deformidade no calcâneo.

Pessoas com pronação acentuada dos pés têm maior risco de desenvolver tendinite de Aquiles ao correr ou saltar. O aumento da pronação coloca um estresse adicional no tendão, colocando-o em maior risco de lesão.

Onde ocorre a maior incidência de lesões no Tendão de Aquiles?

Existem dois locais básicos onde o tendão de Aquiles se lesiona – e eles são tratados de forma diferente. São eles:

  • Tendinopatia na porção média do tendão de Aquiles: É qualquer dano ao tendão (exceto uma ruptura) que ocorre no tendão, acima de onde ele se fixa no osso do calcanhar (A).
  • Tendinopatia na inserção do tendão de Aquiles: É um dano ao tendão onde ele se fixa no osso do calcanhar (B).
Tratamento mais eficaz para tendinopatia de Aquiles

Os estudos mais recentes sobre tendinopatias do tendão de Aquiles recomendam um plano de tratamento que incorpora quatro tipos de cuidados:

  • Exercícios excêntricos para fortalecer o tendão de Aquiles. Esses são um tipo de exercícios muito específicos, excelentes para a recuperação das tendinopatias de Aquiles que afetam a parte média do tendão, acima da apófise posterior do Calcâneo. O exercício excêntrico (EE) é muito eficaz do que outras modalidades na redução da dor e melhora da função. Um exemplo de exercício excêntrico para o TA é ficar na ponta dos pés em um degrau e abaixar o calcanhar, mantendo a posição por alguns segundos e, em seguida, levantar o peso com a outra perna. Esse exercício, repetido duas vezes ao dia, por 2 a 3 meses, estimulará gradualmente o tendão a se contrair. É preciso iniciar com cuidado, para garantir que não ocorram mais danos, porque às vezes o tendão está muito fraco para suportar o esforço e precisa ser exercitado com cuidado. Embora o exercício excêntrico seja uma parte essencial do tratamento da tendinopatia na porção média do TA, ele não se mostrou tão eficaz para a dor no tendão de Aquiles quando esta se localiza na inserção no osso do calcanhar, em geral mais difícil de tratar.
  • Terapia por ondas de choque para estimular a cicatrização do TA. Eficaz tanto para tendinopatia na porção média do tendão de Aquiles quanto para a lesão que ocorre na inserção calcânea. Há evidências de que é o melhor tratamento para a tendinopatia da inserção calcânea. Diversos estudos demonstraram que o uso da terapia por ondas de choque pode ajudar a estimular a cicatrização e que os pacientes que recebem essa terapia têm maior probabilidade de se recuperar e em um período de tempo mais curto.

Por exemplo, um estudo de 2009 mostrou que a carga excêntrica isolada foi menos eficaz quando comparada a uma combinação de carga excêntrica e tratamento repetitivo com ondas de choque de baixa energia.

A tendinopatia do tendão de Aquiles pode ser um problema difícil de tratar. Considerando os inúmeros estudos que mostram resultados muito melhores com a terapia por ondas de choque, recomendamos essa terapia como primeiro tratamento para a tendinopatia do tendão de Aquiles.

Diversos estudos demonstraram que o uso da terapia por ondas de choque pode ajudar a estimular a cicatrização e que os pacientes que recebem essa terapia têm maior probabilidade de se recuperar e em um período de tempo mais curto.

Diversos estudos demonstraram que pacientes que receberam terapia por ondas de choque para tendinite do tendão de Aquiles apresentaram taxas de recuperação melhores do que com outros tratamentos. Um estudo de 2011 mostrou melhora de 78% para tendinose da porção média do tendão de Aquiles e de 84% para aqueles com dor na inserção (onde o tendão se liga ao osso do calcanhar).

A terapia por ondas de choque demonstrou ser eficaz para a dor no próprio tendão de Aquiles e na sua inserção no osso do calcanhar. De fato, há evidências de Nível 1 (o nível mais alto de evidência médica) mostrando:

• Para tendinopatia da porção média do tendão de Aquiles, 56% dos pacientes tiveram recuperação completa apenas com exercícios excêntricos e 82% dos indivíduos tiveram recuperação completa em 4 meses com uma combinação de terapia por ondas de choque e exercícios excêntricos.

• Para tendinopatia insercional do TA, 28% dos pacientes que só fizeram exercícios excêntricos tiveram alívio e 64% tiveram alívio completo em 4 meses com uma combinação de terapia por ondas de choque e exercícios excêntricos.

Ondas de choque para tendinopatia insercional do tendão de Aquiles

A dor no local onde o tendão de Aquiles se insere no osso do calcanhar costuma ser resistente aos tratamentos padrão. A terapia por ondas de choque demonstrou, em diversos estudos, ser um tratamento eficaz e seguro que oferece resultados substancialmente melhores.

Um estudo de 2008 comparou a carga excêntrica à terapia por ondas de choque para esse problema. Neste estudo, a carga excêntrica apresentou resultados inferiores à terapia por ondas de choque de baixa energia aplicada em pacientes com tendinopatia crônica refratária da inserção do tendão de Aquiles após quatro meses de acompanhamento.

Em um estudo de 2016 que utilizou uma combinação de exercícios excêntricos e terapia por ondas de choque, após 12 meses de acompanhamento, 65% dos pacientes não se queixaram de dor, 27,5% dos pacientes retornaram às atividades normais apesar da dor residual e 7,5% dos pacientes ainda se queixavam de dor. Não houve melhora significativa em nenhum dos escores após exercícios excêntricos isolados.

Muitas vezes, os atletas optam pela terapia por ondas de choque como um método de tratamento da tendinopatia, sem rotura das fibras, que lhes permite continuar treinando.

  • Reduzir a tensão no tendão por meio do uso de preenchimento atrás do calcanhar com almofadas auto-adesivas (A).
  • Reduzir a pressão sobre o tendão por meio de trocas de sapato, modificações do sapato, dispositivos de amortecimento e/ou uso temporário de uma bota de caminhada com forro macio (B).
Palmilhas para Dor no Tendão de Aquiles

Os tratamentos mais importantes para tendinopatias do TA são o fortalecimento excêntrico e a terapia por ondas de choque. Além disso, há algumas evidências de que as órteses podem ajudar a reduzir as forças que atuam para danificar o tendão.

Um estudo de 2014 analisou o efeito do uso de órteses plantares (palmilhas) no tendão de Aquiles. Os pesquisadores descobriram que correr com órteses plantares resultou em uma diminuição significativa da carga no tendão de Aquiles em comparação com correr sem órteses. Este estudo indica que as órteses plantares podem atuar para reduzir a incidência de patologias crônicas, reduzindo o estresse no TA em corredores. As órteses parecem reduzir a carga no TA, reduzindo a pronação excessiva.

Pessoas com dor no TA e que também têm pés hiperpronados (com arcos longitudinais mediais mais planos) se beneficiam de palmilhas ortopédicas. Outros pacientes com dor no tendão de Aquiles têm menos probabilidade de se beneficiar.

Os três músculos (Gastrocnêmios e Sóleo) que se ligam ao tendão de Aquiles são projetados para fazer duas coisas no pé:

  1. Plantiflexão (apontar os dedos para baixo)
  2. Inversão (ajudar o pé a girar para dentro)

Se um pé é excessivamente plano ou pronado, é muito mais difícil inverter o pé e o TA precisa trabalhar muito mais para que isso aconteça. Esse trabalho extra pode danificar o tendão.

Como a hiperpronação exerce uma grande pressão sobre o TA, palmilhas ortopédicas funcionais personalizadas, projetadas para controlar a hiperpronação, são uma parte importante do plano de tratamento para esse problema.

Mas se a pessoa tem um tipo de pé em que o tendão de Aquiles não precisa trabalhar muito para inverter o pé, então as palmilhas ortopédicas provavelmente não farão muita diferença no tratamento. A chave para um tratamento adequado é consultar um médico que além da avaliação física faça uma Podobarometria Computadorizada, com eletrodos tipo palmilhas inseridos nos calçados, ou caminhando no plano e/ou correndo na Esteira Rolante, para definir em que regiões da superfície plantar e com quanta pressão o indivíduo caminha ou corre. Obtidas essas informações, ficará fácil definir os apoios necessários a redistribuir as pressões plantares, evitando sobrecargas a todas estruturas que formam os pés, e não apenas nos TA.

Exame de Podobarometria Computadorizada mostrando pressões mais intensas na borda medial do pé pronado


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